Por razões de força maior, sujeitei-me a assistir a esta obra-prima do enfado. A duração de quase três horas desta porcaria me fez transitar, cambaleando nauseabunda em ziguezague, por diversas sensações. Apatia, tédio, preguiça, dispersão, hiperatividade corporal, irritação, desgosto, sono profundo e pré-coma. O bom, e a única razão que me levou a me ater nessa joça é que essa enfastiante pirotecnia de efeitos especiais a que chamam "longa metragem" instigou-me reflexões importantes. Preciso desenvolver a capacidade relativizadora diante do que chamo de intra-alteridade. Isso significa buscar compreender comportamentos comuns em minha cultura, mas extremamente estranhos a mim. A ocasião me fez constatar minha intransigência para com o que me cerca. Disponho-me, com muita boa vontade e total interesse, a buscar compreender práticas canibais ou incestuosas de uma etnia indígena, mas estarreço-me ao considerar que é real a possibilidade de alguém ter gostado desse filme. Dei-me conta do quão difícil é lançar o "olhar antropológico" ao que me é próximo. Definitivamente, distância é tudo.
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