sábado, 24 de dezembro de 2011

Comunista simpatizante-contemplativa... ou só frouxa mesmo...

 Acho que ao longo dos anos fui sendo acometida por um pragmatismo (ou fatalismo?) que estrangulou minhas crenças em uma causa. Acho que, como diz o Zizek, me tornei mais uma fukuyamista estúpida, sem querer.
Posso dizer que fui, sou e morrerei à esquerda. A diferença é que hoje meu esquerdismo se limita a um olhar sempre bastante afetado diante das escrotices desse mundo. Sou uma esquerdista de longe... vibrando com os que lutam, se emputecendo, se afetando, se deprimindo com a merda alheia, se entusiasmando com a idéia de um quebra-pau armado, mas incapaz de enxergar um sentido genuíno na luta. E eu odeio isso. Talvez seja só covardia, falta de coragem mesmo, não sei... Talvez seja a consequência natural de sempre se buscar considerar o maior número possível de perspectivas acerca de determinada questão: a dificuldade crescente de se tomar um partido. 

Admiro profundamente aqueles que não têm vergonha nenhuma em dizerem-se comunistas, sem ressalvas ou justificativas. Odeio essa conversa mole de "não sou de esquerda, nem de direita". Impossível! Nem que seja sem querer, inconscientemente, o olhar (ou o não olhar) para o mundo é o suficiente pra situar alguém em uma posição, ainda que pouco precisa. Aliás, acho que me engano. Há sim uma terceira possibilidade: ou você é de esquerda, ou é de direita, ou uma simbiose de vegetal com humano. Um cruzamento entre Homer Simpson e Patrick Estrela.

Sempre tive um monte de perguntas a fazer a um socialista ou comunista assumido e ativo. E sem o menor intuito de contestá-lo, já que admiro sua posição, mas de obter elementos que, confrontados com o que tenho (ou não tenho) na cabeça, pudessem elucidar um pouco certos questionamentos, ou pelo menos, amansar curiosidades portadora de conflitos atrozes! 

Acho que carrego uma espécie de orientalismo taoísta (filosoficamente falando, não institucionalmente) que talvez tenha me conduzido a uma certa resignação. Digo "uma certa" resignação, porque apesar de não lutar e não fazer porra nenhuma coletivamente pra tentar 
mudanças, o que me envergonha, jamais fui capaz de ser indiferente às escrotices da realidade que me estapeiam a cara.

Às vezes me sinto um rebelde derrotado, mas pra sempre um rebelde. Rendido, condenado, mas rebelde. Essa rebeldia, ainda que capenga e calada, é minha condição. Incontornável. Só cessa com lobotomia ou morte.